No budego

Buteco

Belo Horizonte tem o maior número de butecos por metro quadrado do país, são mais de 12.000 estabelecimentos. Agora imagina só, a cidade tem uns 2 milhões de habitantes, o que dá mais ou menos um buteco pra cada 170 pessoas. Acho que a única coisa que chega perto são as igrejas evangélicas – tem cada muquifo por ai. E olha a relação entre uma coisa e outra, igreja evangêlica só tem ex-puta, ex-alcoolatra, ex-drogado e ex-viado e de onde veio esse povo todo? Do buteco, oras! Portanto a relação entre buteco e igrejas vagabundas evangélicas é diretamente proporcional, o que dá muito medo viu!

Eita, fugi do assunto! Na verdade eu queria falar sobre os seres estranhos que aparecem vendendo todo tipo de bugiganga enquanto estamos tranquilos tomando nossa cervejinha e falando putaria, porque, né, em mesa de bar o assunto sempre tende a isso. O fato é que são sempre as mesmas figurinhas, não sei, talvez se trate de seres unipresentes ou então de um exército infindável de clones, porque é muita coincidencia eu sempre encontrar as mesmas figuras onde quer que eu vá.
Enfim, são eles:

1. Hippie vendendo arame amassado e pedaços de madeira bijuterias e colares. Esses são clássicos, podem ser encontrados em qualquer lugar do mundo e sempre estão vendendo o ’seu trabalho’ ou ’sua arte’. São irritantes por causa do mau-cheiro e por eles serem hippies, oras. Todas as vezes eu tento não olhar pros pés, mas é impossível, aquela coisa PRETA, aquela CROSTA, aquelas UNHAS. (perai, vou gorfar)

2. Vendedores de copos, canecos e taças do Cruzeiro, AtRético e afins. Fico imaginando que tipo de pessoa em sã consciência estética comprarir uma coisa dessas e o pior, usaria como ornamento. Nem se eu fosse o torcedor mais babaca ferrenho, e outra, odeio futebol. Recuso sumariamente.

3. Hippies e adjacências vendendo “esculturas” de durepoxi ou coisa parecida. Aquilo sempre me dá a impressão de que foi roubado do acervo de artes com massinha da 5º série do Colégio puta-que-pariu. Um monte de massa distorcida, amorfa e mal pintada. Tem uns bonequinhos com as profissões também, e sinceramente, é difícil distinguir um engenheiro de um dentista. Dispenso.

4. Objetos não identificados com ramificações e luzes brilhantes. Chama a atenção? Sim. É extravagante? Sim. É diferente? Com certeza. Pra que serve? No idea! Juro que fico tentando achar uma utilidade praquilo, ainda mais naquele ambiente. As vezes vejo um daqueles com neon e várias linhas esvoaçantes em cima da mesa alheia e tenho medo. Dá pra usar em casa? Claaaaaaro! Fica lindo no banheiro ao lado do pote de Kolene ou então em cima da mesa da sala, combina com os brincos que você acabou de comprar do hippie acima. New rave barangão.

5. Crianças sendo exploradas pelos pais vendendo bombons e balas. Não tenho paciencia. Fico com pena, muita pena. Às vezes dou comida, mas dinheiro nunca, mesmo que eu esteja precisando urgentemente daquele trident. Ali não é lugar pra elas e enquanto continuarmos comprando elas continuarão a ser exploradas pelos pais. Teve uma vez que não quisemos comprar os doces que a menina tava vendendo e ela por vingança puxou o cabelo do meu amigo e saiu correndo. Muito surreal.

6. “Vendedores” de “poesia”. Muitas aspas nessa sentença. Eles não são nem vendedores e muito menos poetas. Alguém ali, por acaso, tá a fim de comprar aquele pedaço de papel mal feito com um monte de escrito? Absolutamente, eu não tenho paciência alguma com esses caras chatos que ficam enfiando essa porcaria na gente. Quer viver de poesia? Não é vendendo um pedaço de papel por 1 real que você vai se sustentar. Ainda tem aqueles que começam a recitar as malditas poesias na sua frente. Boa estratégia de vendas, compro na hora só pra me ver livre. Intragável.

7. Porquinhos artesanais enfeitados. Denovo os malditos “artesanatos”. Todo mundo deve saber do que tô falando, são aqueles cofrinhos em formato de porco feitos de argila e pintados à mão. Taí a confirmação de que tudo pode ser vendido, ou melhor, tudo que puder ser feitou ou carregado pra um buteco pode ser vendido. Feios, mal feitos, brega. Não, não não!

8. Vendedor de coisas infláveis. Whata Hell esses caras estão fazendo num buteco em Belo Horizonte? Eles não deveriam estar numa praia ou num parque de diversões? Fico imaginando o tipo de pentelho que compra aquelas coisas, deve ser tipo, ‘vou comprar esse martelo e ficar batendo na cabeça dos cara, huuuu’. Tem Homem Aranha, Bob Esponja com seu sorriso medonho, baleias, golfinhos, meu cu…

9. Banca de cd pirata ambulante. Esses são grandes empreendedores. Seguiram à risca a estratégia do oceano azul e quebraram as barreiras do mercado. Extrapolaram os muros dos shoppings “populares” e vieram em busca de um público diversificado. À mão, grandes títulos, muito sangue, muita ação, as 700 versões de Tropa de Elite, ‘As Gostosonas’ e por ai vai. Só coisa boa, garanto! O melhor é quando começam tentar nos convercer a comprar os títulos do momento, o dvd da nova sensação sertaneja da última semana, e Rambo 754, o róque doidão… Aff.

10. Vendedores de amendoim. Perigosíssimos. Com suas latas flamejantes, esses simpáticos vendedores já queimaram a calça de um amigo, a camisa de uma conhecida, a pele de outro amigo e por ai vai. Se aproximam como se aquela coisa flamenjante não soltasse brasas e não tivesse vida própria. Tem um que sempre está num buteco aqui perto, ele deixa os cones com amendoim em cima da mesa, independente da nossa resposta e depois de uns 50 minutos ele volta pra cobrar. É claro, muita gente não resiste ao ver aquilo em cima da mesa, ainda mais depois do cara ’sumir’. Muita gente acha que ele não vai voltar e come. Mas ele volta, minha gente, volta e cobra. Se você não tiver comido, ele vai insistir muito, vai encher o saco com aquele sorriso filho da puta até você resolver comprar ou começar a ignora-lo. Tenso.

E assim a cerveja vai descendo enquanto essas ficugras, cada um com sua peculiaridade, vão tirando nossa santa paciêcia e testando nosssa educação. Talvez não tivesse graça se não fosse assim. =)

~ por ph! em Abril 17, 2008.

Uma resposta to “No budego”

  1. mulheres não são assim.

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