Um anjo caído, as coisas como são e a vida rápida. Live fast, die young?

Ontem me senti um peixe fora d’agua na Calourada da Belas Artes. O que aconteceu nesses dois anos? Será que a calourada mudou tanto assim? Não, a calourada continua a mesma. As mesmas brincadeiras, quase as mesmas travas, as mesmas pessoas, a mesma fila enorme pro banheiro e a mesma cerveja quente, então o que diabos tinha de diferente, que me fez sentir como se eu não pertencesse mais àquele lugar? Simples, as coisas mudaram pouco, mas o coração desse que vos escreve já não é mais o mesmo de um tempo atrás. Há dois anos quando entrei naquele lugar cheio de diversão e esculhambação, me senti no paraíso, desssa vez me senti um anjo caído, renegado pelos céus. Como poderia um anjo, depois de ter provado o doce prazer do paraíso e da imortalidade, voltar à viver no mundo imperfeito e sujo dos homens?
(Antes de continuar, queria deixar claro que tenho amigos ali que gosto muito, espero que esses não se ofendam, nada aqui é pra vocês)
Aquele lugar em um determinado momento parecia um açougue, assim como todas as boates gays são, grandes açougues vendendo carne barata. O que se via eram pessoas que a cada ato, se faziam mais carne e essa carne se fazia putrefata, e cada vez mais sem valor, tabelada por suas atitudes vazias e fúteis. Um grande mercado onde a única moeda de troca é o corpo, onde se vendem corações e amores como se vendem balas, e onde se descarta um amor como se fosse um guima de cigarro que não tem mais serventia. Ninguém quer saber seu nome ou falar sobre alg que exiga o mínimo de exercício mental, mas se isso for necessário, é o preço que eles pagam pelo sexo. Ninguém quer conversar, ou rir de coisas bobas, ou falar sobre aquela banda bacana, hehe, eles sequer sabem dizer o nome daquela música que eles fingem cantar, ‘Somebody told me’, meu caro! Sim, porque eles entendem de clichês, e como entendem. Anos a fio vivendo seus clichês homossexuais, com homens sem camisa, drags, travestis, afetação e as mesmas músicas ever and ever. Juro que se eu ouvir mais um vez ‘Girls just wanna have fun’ ou ‘Like a virgin’ dou um tiro em quem estiver na minha frente! Triste chegar a um lugar desses, de onde se espera uma grande diversidade de pessoas interessantes, e encontrar um monte de clones sem cérebro de um mesmo modelo, bichas pagando de moderninhas com seus tenis all star, suas camisas ‘descoladas’, piercings, tatuagens, cabelos, tudo falso, tudo artificial, tudo pra parecerem ser alguém que não são de verdade. Tudo isso pra soar como uma pessoa interessante e cheia de atitude.
Talvez os jovens estejam sendo engolidos por uma onda idiota de artificialidade. Tudo pode ser comprado, valores podem ser adquiridos ou descartados com uma facilidade tremenda, amar perdeu seu status e não significa mais tanto assim, gostar então, nem queira saber. Num mundo onde tudo é fast, as pessoas estão tendo fast-lifes, de acordo com suas vontades, são escolhidos estilos de vida pra se viver, quando isso cansa, basta escolher outro e se travestir dele. É simples, os modelos vem montados, basta escolher o que melhor se adequa às suas vontades e vem tudo junto, roupas, lugares, pessoas e modo de pensar. Esse é o novo modo de vida, fast-life, rápido, fácil e artificial, e o melhor, você não precisa ser nada, mas pode parecer o que quiser!

Foto retirada daqui.

~ por ph! em Agosto 30, 2008.

7 Respostas to “Um anjo caído, as coisas como são e a vida rápida. Live fast, die young?”

  1. Nossa!
    Eu adoro Somebody told me! Hahahahaha
    Mas eu concordo com você! Faz-se tudo para se ser aceito hoje em dia… As referências já quase não existem!
    E aí?!
    Vamos salvar o planetaaa! rs
    Abração guri!

  2. mágoa! kkkkkk

  3. Ai, Paulo… Vamo sair pra tomar um cafe a conversar? Muito melhor que sai pra “balada” com esse povo muderno e tatuado. Cansei disso tb. Ta na hora de crescer, ne?
    Beijo grande. Faltam 20 dias :)

  4. olá, peagá. também tenho um disso. como é secreto, favor apagar o endereço loguinho.
    (o meu é praticamente um blog de citações, hahaha)
    meu abraço.

  5. na trave!
    é trainspotting, hehe

  6. Será que você chegou aqui?

    Eu me sinto um pouco como você. Às vezes me sinto totalmente deslocado, um alien.
    Não tenho mais paciência para os mesmos jogos e mesmos personagens, tão vazios e perdidos. Todos representando um papel, não há lugar para a autenticidade.

    Bom descobrir este lugar aqui. Gostei muito. Pretendo voltar com calma outras vezes.

    um abraço cumplice.

  7. “Retocai o céu de anil
    Bandeirolas no cordão
    Grande festa em toda a nação.
    Despertai com orações
    O avanço industrial
    Vem trazer nossa redenção.

    Tem garota-propaganda
    Aeromoça e ternura no cartaz,
    Basta olhar na parede,
    Minha alegria
    Num instante se refaz

    Pois temos o sorriso engarrafadão
    Já vem pronto e tabelado
    É somente requentar
    E usar,
    É somente requentar
    E usar,
    Porque é made, made, made, made in Brazil.
    Porque é made, made, made, made in Brazil.

    Retocai o céu de anil, … … … etc.

    A revista moralista
    Traz uma lista dos pecados da vedete
    E tem jornal popular que
    Nunca se espreme
    Porque pode derramar.

    É um banco de sangue encadernado
    Já vem pronto e tabelado,
    É somente folhear e usar,
    É somente folhear e usar.”

    Agora sim, tá no lugar certo…

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